Sobre Bruce Frantzis

Bruce Frantzis é um mestre da linhagemi taoísta com mais de 40 anos de experiência em métodos medicinais orientais. Ele é o primeiro ocidental conhecido a fazer parte de uma linhagem autêntica de qigong (chi gung/chi kung), bagua (ba guai/pakua), tai chi (taiji), hsing-i (xing yi/shing yi) e meditação taoísta.

Bruce treinou por mais de uma década na China e também tem uma vasta experiência em Zen Budismo, Budismo Tibetano, Budismoi, Yoga, Kundalinii, terapias de cura energética e tradições Taoístas do Fogo e da Água. 

As Credenciais de Bruce Incluem:

  • Ele é o primeiro ocidental a fazer parte de uma linhagem autêntica em qigong (chi gung/chi kung), bagua (ba gua/pakua), tai chi (taiji), hsing-i (xing yi/shing yi) e meditação taoísta. A sua linhagem de meditação é diretamente ligada à do Lao Tsé, autor do Tao Te Ching, o segundo livro mais traduzido do mundo.
  • 16 anos de treinamento na China, Japão e Índia.
  • 20 anos estudando Zen Budismo, Yoga, Kundalini e Tradições Taoístas do Fogo.
  • Vasta experiência estudando a Tradição Taoísta da Água com a linhagem taoísta do mestre Liu Hung Chieh na China.
  • Treinamento de mais de 20.000 estudantes em qigong (chi gung/chi kung), bagua (ba gua/pakua), tai chi (taiji), hsing-i (xing yi/shing yi) e meditação taoísta.
  • Certificação de mais de 400 professores no mundo todo.
  • PhD em Ciências da Sáude.
  • Em 1981, ele foi o primeiro ocidental a ser certificado em Beijing pela República da China para ensinar o sistema completo do Tai Chi Chuan.
  • Estudou acupuntura e trabalhou como doutor em qigong e como massoterapeuta de tui na em clínicas médicas na China, curando mais de 10.000 pacientes com câncer.
  • Fala chinês fluentemente e usa a sua língua nativa, o inglês, para acabar com  todas as metáforas e toda a linguagem vaga que envolve o conceito do chi (qi).
  • Autor de oito livros sobre a prática do chi incluindo o tai chi, as artes marciais e a meditação Taoísta.
  • Palestrante na Universidade Oxford na Inglaterra e assessor do grupo de estudos de Qii  na Universidade de Harvard nos Estados Unidos.

Desde 1961, Bruce Frantzis tem seguido a tradição taoísta de 3.000 anos de guerreiro, curandeiro e sacerdote através do estudo, prática, ensino e escrita relacionados às artes energéticas, incluindo: qigong (chi gung/chi kung), terapias energéticas de cura, meditação Taoísta, e artes marciais, incluindo o tai chi (taiji). A sua prática está concentrada no desenvolvimento do chi (qi), a energia interna que conecta a mente, o corpo e o espírito com a consciência absoluta do universo (Tao).

Frantzis desenvolveu um método de programas práticos e abrangentes -- Energy Arts System -- permitindo que pessoas de todas as idades e níveis físicos aumentem a sua força vital de energia e que obtenham uma saúde vibrante. Alguns de seus professores fundaram suas próprias escolas. Força vital energia

Seus livros, CDs, DVDs, manuais de instrução e colunas gratuitas oferecidas através do seu boletim informativo mensal ajudam a ensinar as artes da energia chinesa aos ocidentais e apoiam o seu compromisso de dilvulgar a prática da tradição taoísta. Mesmo sendo uma tradição espiritual, a maioria dos estudantes pratica as artes da energia taoísta de maneira não religiosa para diminuir o estresse, curar doenças e manter a sáude e o bem-estar.

Bruce Frantzis: O Caminho do Guerreiro/Curandeiro/Sacerdote

De Stuart Kenter, um resumo do Opening the Energy Gates of Your Body (Abrindo as Portas de Energia do seu Corpo)

Honk Kong: À Procura do Misterioso Poder do Chi

O sonho de todo estudante determinado de chi (taiji), qigong (chi gung/chi kung) e artes marciais é estudar com um autêntico mestre oriental que revelará todos os segredos destas artes. Os segredos do poder interno não são ensinados para o público em geral, mas são transmitidos de forma privada somente para certas pessoas da família ou discípulos próximos. Na China, ser aceito como discípulo de um grande mestre é o equivalente no ocidente a ser aceito para fazer um pós-doutorado nas Universidades de Harvard ou Oxford com o melhor professor da área.

Bruce Frantzis é um dos pouquíssimos ocidentais que realmente foram capazes de realizar este sonho. Em uma odisseia através de várias artes marciais que começou em 1961, sua ambição foi sempre a de estudar com  um grande mestre de linhagem. Assim como outros ocidentais que procuraram este caminho, Frantzis sentia-se constantemente frustrado através daqueles anos pelas portas fortemente cerradas da China, um país onde ele estava tanto isolado, como sujeito às duras consequências de traumáticos distúrbios políticos.

A sua frustração era intensificada pelo implacável preconceito oriental: o acordo implícito de que a maioria dos ensinamentos não deveriam ser dados aos ocidentais. Não foi até o verão de 1981 que um dos professores de Frantzis em Hong Kong aceitou dar uma carta de recomendação para seu próprio mestre em Beijing, um homem chamado Liu Hung Chieh (pronunciado Liu Ung Giê). Esta carta tinha um potencial que animou Frantzis tremendamente. Ele já tinha sido convidado pelo Instituto de Educação Física de Beijing para estudar tai chi (taiji) chuan (chuan: punho).

Durante aquele verão em Beijing, Frantzis passou suas manhãs estudando o sistema simplificado de Tai Chi (taiji), a técnica Push Handsi e a de armas. O aprendizado enfatizava os aspectos de saúde do tai chi (taiji) mais do que a sua aplicação como uma arte marcial, e foi assim que Frantzis ganhou um conhecimento profundo e respeito pelo tai chi como um sistema abrangente de saúde. Na conclusão desse curso, Frantzis foi o primeiro ocidental a ser formado em Beijing pelo governo chinês para ensinar o sistema completo do tai chi chuan. Frantzis passou a desenvolver o tai chi (taiji) e qigong (chi gung/chi kung) em um programa de saúde viável ao ocidente.

Durante as tardes, Frantzis estudava com o grande mestre Liu na sua casa. Depois de completar o curso de tai chi, Frantzis estudou de manhã e de tarde com Liu, uma prática padrão que continuou durante todo o tempo em que Frantzis morou em Beijing. 

Beijing: Grande Mestre Liu Hung Chieh

Frantzis estudou por um total de três anos com o Grande Mestre Liu Hung Chieh, que tinha mais de oitenta anos de idade. Liu teve um passado bem interessante.

Ele viveu e estudou com o fundador do estilo de tai chi chamado Wu, Wu Jien Chuan, e foi o estudante mais jovem da primeira escola Beijing Bagua Zhang (Ba Gua Chang/Pakua Chang). Quando estava com apenas trinta e poucos anos, Liu foi declarado iluminado pela escola de budismo Tien Tai. Depois disso, passou dez anos estudando com taoístas nas montanhas ocidentais da China. Ele manteve a tradição da linhagem bagua (ba gua/pakua),  tai chi (taiji), hsing-i (xing yi/shing yi) e também foi um adepto do taoísmo qigong (chi gung/chi kung) e das prácticas de meditação.  Colocar hot link.

Como muitos dos artistas marciais tradicionais, Liu não era uma pessoa pública. Desde a revolução da China em 1949, ele vinha ensinando hsing-i (xing yi/shing yi) e bagua (ba gua/pakua) para somente um homem- o professor de Frantzis em Hong Kong, Bai Hua. Quando Frantzis perguntou a Bai Hua se Liu iria aceitá-lo como estudante em Beijing, o professor respondeu, “Quem Sabe? Ele praticamente não ensina ninguém e é praticamente impossível predizer o que ele vai fazer.”

No seu primeiro encontro, Liu foi cordial com Frantzis. Frantzis percebeu imediatamente que os vinte anos que tinha passado imerso nas artes marciais e meditação apenas serviriam como uma base para estudar com esse mestre. Tendo mais do que o dobro da idade de Frantzis e metade do seu tamanho, Liu podia levantar Frantzis e movê-lo de qualquer maneira que desejasse. Frantzis, por outro lado, era literalmente incapaz de mover nem sequer o dedo mínimo de Liu. Frantzis, que era considerado um “jovem mestre” em Hong Kong e Taiwan, ficou realmente impressionado. Liu disse a ele: “Mais vale ter energia do que só ter tamanho”.

Durante todos os anos que Frantzis estudou com Liu, ele pôde frequentemente observar os resultados das técnicas de rejuvenescimento taoístas que aquele senhor praticava. Estas pareciam transformar Liu de um homem velho em um jovem no intervalo de algumas horas ou dias. A transformação era surpreendente e Frantzis viu este controle sobre o processo de envelhecimento como o símbolo de um verdadeiro mestre.

Frantzis solicitou que Liu ensinasse bagua (ba gua/pakua) a ele. As aulas implicaram o trabalho energético mais árduo que Frantzis já tinha realizado. Depois das aulas, ele estava tão exausto que Liu o deixava repousar em sua própria cama. Liu entretia Frantzis com estórias sobre Budismo e Taoísmo, e lhe ensinava meditação. Anos depois, Liu revelou que a única razão pela qual ele concordou em ensinar Frantzis foi porque a sua chegada tinha sido anunciada em um presságio durante um sonho. Liu teve cinco sonhos proféticos em sua vida, e todos eles se realizaram.

Assim como muitos dos taoístas mais velhos, Liu acreditava nas conexões cármicas sendo realizadas, e ele sentia profundamente que uma conexão dessas existia entre ele e Frantzis. Foi Liu quem começou a ensinar Frantzis os segredos mais profundos e internos de qigong e outras artes taoístas de energia achadas nos livros que Frantzis escreveu.

A Cidade de Nova York: A Primeira Base de Treinamento

Nascido no final dos anos 40 na cidade de Nova York, Frantzis era uma criança gordinha e desajeitada. Quando tinha doze anos de idade, presenciou um colega de escola ser gravemente ferido em uma briga. Este acontecimento teve um poderoso efeito nele, e  um anúncio no metrô que prometia “Não Tenha Medo de Ninguém!” o levou à sua primeira aula de judô. Pouco tempo depois, também começou a treinar karatê, jiu-jitsu, aikidô e Zen Budismo.

Frantzis tinha catorze anos de idade quando se envolveu com o Zen Budismo. Naquele tempo,  usava-o primariamente como uma ferramenta para eliminar a hesitação no seu treino de karatê e nas lutas com armas. Seu interesse em meditação quando jovem estava concentrado mais no treinamento da mente para artes marciais do que no crescimento espiritual. Mesmo sem o componente espiritual, Frantzis afirma que Zen lhe deu um   propósito único que o levou a ter força para mover-se através de obstáculos.

Durante sua juventude,  concentrou-se em aprender as artes marciais japonesas. Conquistou as faixas pretas em jiu-jitsu, karatê e aikidô mesmo antes da sua primeira viagem ao oriente, e outra em judô logo depois. Seguindo as recomendações de seu professor de jiu-jitsu, ele também estudou shiatsu (massagem de acupressão japonesa) e praticou esse tipo de trabalho corporal enquanto cursava a escola de segundo grau. Ambos o aikidô e o shiatsu utilizam o ki (palavra japonesa para chi/qi) que quer dizer “energia da vida”; aikidô para o poder e shiatsu para a cura. Claramente o interesse de Frantzis e a ênfase na área da saúde começaram bem cedo.

Aos dezoito anos de idade, estava claro para ele que, para aprender a essência das artes orientais marciais, de cura e de meditação, ele teria que encontrar suas fontes. Este desejo o levou a estudar no exterior por dezesseis anos: onze na China, três no Japão e dois na Índia. Ainda assim, as artes marciais na sua adolescência foram primeiramente motivadas pela fascinação com a destruição. Naquele tempo, ele estava preocupado em como causar dano ao corpo humano. Paradoxalmente, mesmo seu interesse contínuo em saúde e meditação era expresso, durante aquele período, em termos de violência:  a meditação zen tornou-se para ele uma maneira de destruir as camadas sem sentido de sua mente. Fazer massagem se tornou uma forma de eliminar as dores e o sofrimento das pessoas.

Ele só mudou mais tarde, aos vinte e poucos anos, quando deixou o seu interesse em saúde e bem-estar dominá-lo completamente. Naquele tempo, também se envolveu seriamente  em aprender como usar as técnicas de artes marciais, cura e artes meditativas para preservar os aspectos úteis do corpo, mente e espírito,  protegendo-os de dano algum.

Essa transição começou na China. Lá, Frantzis testemunhou em primeira mão praticantes idosos de qigong (chi gung/chi kung) que eram mais saudáveis e energéticos que as pessoas que tinham a metade de sua idade.  A princípio, ficou impressionado com as técnicas físicas de qigong (chi gung/chi kung). Mais tarde, quando começou a aprender os verdadeiros métodos do qigong (chi gung/chi kung) de lidar diretamente com a energia, ele entendeu: ali estava uma maneira de preservar e aumentar a força e a vitalidade.

Ele percebeu que todos os alunos que via praticando -- incluindo ele mesmo--  tornavam-se mais fortes e com uma melhor disposição com o passar dos anos. Nas clínicas dos hospitais Chineses, onde por muitos anos ele praticou massagem terapêutica qigong (qigong tui na), observou pessoas que tinham estado fracas e doentes a vida inteira e se tornaram -- através do qigong --  pessoas com força e saúde obviamente superiores aos demais. Ele também observou muitas pessoas que eram neuróticas, que tinham distúrbios mentais ou eram inclinadas a terem ataques de fúria, depressão, ansiedade ou medo se tornarem calmas, estáveis e em harmonia através do qigong (chi gung/chi kung). Ele testemunhou o qigong transformar mentes lentas em mentes inteligentes e perceptivas. Para Frantzis, as artes chinesas funcionavam muito melhor e faziam mais sentido que grande parte do que a medicina ou os treinamentos atléticos ocidentais tinham a oferecer.
 

Tóquio: O Caminho pelo Aikidôi

Em 1967, aos dezoito anos de idade, Frantzis viajou ao Japão, onde se matriculou na Universidade de Sofia, em Tóquio. Seu primeiro interesse ainda era os estilos mais duros das artes marciais, como o karatê. Ele teve a boa sorte de estudar com o fundador do aikidô, Morihei Ueshiba, entre 1967 e 1969. Este foi um homem fantástico, que, sem dúvida nenhuma, atingiu um nível avançado no desenvolvimento do chi. Durante os últimos meses de sua vida, ele estava tão fraco para caminhar que tinha que ser carregado para o dojo (lugar de treinamento, em japônes).

Mesmo nesta condição, ele conseguia se levantar e, de repente, reunir energia suficiente para arremessar os seus estudantes mais fortes como se fossem bonecas de pano. Depois do treino, ele era carregado de volta para sua cama. Com esse exemplo tão forte, Frantzis entendeu como a energia vital transcende o corpo humano.

Apesar de Ueshiba ter passado as suas técnicas físicas e filosofias espirituais do aikidô para seus estudantes, Frantzis sentia que nenhum deles tinha atingido o nível impressionante de chi de Ueshiba.

Dentro do estúdio de treinamento, tinha sido amplamente conhecido, mas pouco discutido, o fato de que, após ter passado bastante tempo na China como um monge, toda a técnica de Ueshiba mudou: foi do aiki-jitsu ao aikidô (do é a palavra em japonês para Tao, de taoísmo). Isto é, sua técnica foi de um sistema baseado no jiu-jitsu para um baseado no uso do ki, ou chi.

Neste momento da sua carreira, Frantzis tinha a faixa-preta em cinco artes marciais japonesas. Ele tinha visitado muitos dos melhores professores japoneses. No seu ponto de vista, nenhum deles tinha a mesma energia chi tão impressionante que Ueshiba possuía. Frantzis queria descobrir as técnicas de chi que Ueshiba tinha aprendido na China.

Taiwan: O Surpreendente Wang Shu Jin

Ainda outra experiência apontou na direção da China quando Frantzis visitou Taiwan em 1968. Lá ele conheceu Wang Shu Jin, um mestre local das artes marciais que veio para Taiwan da cidade de Tianjin, na China. Wang tinha cerca de setenta anos de idade,  media 1 metro e 73 centímetros de altura e  era obeso, pensando mais de 113 quilos. Todavia, ele provou que era fisicamente mais rápido do que o jovem Frantzis, pois podia  golpeá-lo ou arremessá-lo para o outro lado da sala quando bem entendesse.

Na conversa deles, Wang acreditava que karatê era uma técnica de luta inferior e insistia que a prática prolongada do karatê poderia envelhecer o corpo e machucá-lo antes do tempo. Frantzis, que tinha estudado karatê por quase toda a sua vida, discordou veentemente. O resultado de opiniões bem diferentes entre mestres de artes marciais sempre resulta em um desafio.Wang convidou Frantzis para testar a autenticidade do seu ponto de vista.

A parte que Frantzis lembra melhor daquela luta foi que ele terminou machucando suas mãos e seus pés em várias partes do corpo de Wang, e que Wang tinha o hábito desconcertante de aparecer atrás dele muitas vezes durante a luta, batendo de leve no seu ombro. Frantzis guardou na memória o momento da luta em que Wang caminhou lentamente na sua direção, com os olhos quase fechados. Naquele momento, Frantzis conta que começou a temer pela própria vida. Ele recuou contra a parede, preparou-se e, com toda a sua força, chutou Wang com o calcanhar no plexo solar. Este chute simplesmente serviu para acordar Wang e deixá-lo com raiva. Ele bateu levemente na cabeça de Frantzis, que sentiu uma corrente de eletricidade passar pelo seu corpo. A próxima coisa que ele se lembra foi que, de repente, e para sua surpresa, estava no chão.

Frantzis começou a treinar com Wang às 5 da manhã no parque Tai Chung. Depois de uma semana, um velhinho, que também era um dos alunos de Wang, perguntou a Frantzis se ele queria “brincar”. Este senhor era baixo e magro, e, afinal de contas, também era um aluno. Frantzis se sentiu sem jeito,  não querendo tirar vantagem do homem. Ele concordou, contudo, e, depois de ser golpeado algumas vezes, decidiu que a sua preocupação não tinha nenhum fundamento. Ele perseguiu o velhinho com toda a força que tinha. O seu colega não teve nenhum problema  em lidar com  Frantzis como seu oponente. Frantzis ficou espantado com os acontecimentos. Enquanto ele estava ali atordoado, a esposa do homem veio e perguntou se ela também poderia lutar com ele. Depois de ter passado um ano no Japão, Frantzis não sabia como recusar essas ofertas. Ele descobriu assombrado que ela podia lutar no nível de qualquer lutador japonês com segundo grau de faixa-preta do karatê.

Frantzis ficou tão deprimido com essa experiência com o casal de idosos que levou em consideração abandonar completamente as artes marciais. Uma coisa era ser derrotado pelo mestre Wang Shu-Jin, mas ser derrotado por alunos que pareciam normais e idosos era outra coisa. Por essas alturas ele já era faixa-preta há quatro anos. Ele tinha treinado no Japão oito horas por dia. Ainda assim, ele sentia que tinha perdido a oportunidade da sua vida. Será que então eles iriam trazer garotos de cinco anos de idade para bater nele? Talvez devesse ter começado aos três anos de idade ao invés de aos doze? Será que deveria estar treinando catorze horas por dia?

 Uns dias depois, ele teve a oportunidade de conversar com um casal de idosos de Taiwan. (Naquele ponto Frantzis era fluente em japonês, uma língua que muitos taiwaneses falavam). Eles tinham vindo estudar com Wang sete anos atrás porque o homem tinha um problema sério de artrite. No início ele não estava preocupado em aprender artes marciais, mas sim em recuperar sua saúde. Depois de três anos praticando bagua (ba gua/pakua), tai chi (taiji), hsing-i (xing yi/shing yi) e qigong (chi gung/chi kung), no entanto, ele estava relaxado, sua coluna ficou ereta e ele sentiu que poderia parar de treinar. Seis meses depois de parar, os seus sintomas voltaram. Ele recomeçou o treino e seus sintomas diminuíram.

No dia anterior a essa conversa, tentando recuperar um pouco da confiança que tinha perdido, Frantzis tinha lutado – e sido devidamente  derrotado – por alguns dos alunos adolescentes de Wang. Era mais do que óbvio para ele que os alunos de Wang tinham atingido um nível excepcional de saúde e de poder através do desenvolvimento do chi. A mente de Frantzis mudou de direção: se cada um dos alunos de Wang podia chegar a esses resultados, então ele também podia. Naquele momento a sua dedicação aos estudos internos chineses com Wang foi fortalecida.

Wang começou a explicar as diferenças entre as artes marciais internas e externas. Enquanto as artes externas desenvolvem os ossos, músculos e a aparência física, as artes internas concentram-se no desenvolvimento do chi (qi). O Qigong e as artes internas do bagua (ba gua/pakua), tai chi (taiji) e hsing-i (xing yi/shing yi) permitem o trabalho com as energias do corpo, de forma que o chi (qi) se torna tão tangível como um objeto sólido. O campo de energia no ar se torna tão real para o praticante de qigong ou de artes internas, como a água do oceano para um nadador.

Antes as artes marciais internas nunca eram usadas para defesa própria; elas faziam parte da yoga taoísta, onde seu objetivo principal era curar o corpo, acalmar a mente, estimular a longevidade e formar a base física para práticas de meditação mais elevadas. As artes internas são baseadas em movimentos de fluxo bonitos e harmoniosos que desenvolvem uma integridade estrutural, uma boa mecânica corporal e uma forte percepção de poder físico e psíquico. Frantzis, que tinha dezenove anos, nunca se esqueceria das palavras ditas por Wang, seu mestre de setenta nos de idade: “Eu posso comer mais do que você, eu tenho mais vitalidade sexual que você tem, eu posso me mover e lutar melhor do que você pode, eu nunca fico doente, e você se acha saudável? Ser saudável é bem diferente do que meramente ser jovem. O chi (qi) pode lhe ensinar tudo isso.” Frantzis reconheceu a verdade nas palavras de Wang e estudou com ele frequentemente durante dez anos.

Frantzis voltou para a Universidade de Sophia em Tóquio. De 1968 a 1971, enquanto ainda assistia aulas por lá, dedicou-se aos estudos das artes marciais internas com o mestre de hsing-i, Kenichi Sawai, e com muitos dos estudantes que Wang Shu Jin tinha no Japão. Durante esse período ele também teve a boa sorte de conhecer um médico chinês que o ensinou qigong (chi gung/chi kung) tui na, um método chinês de terapia corporal cujos fundamentos conseguiu dominar em um período de dois anos.

Mais tarde, Frantzis aprenderia bem mais sobre esse método e o utilizaria em seu trabalho clínico. Com esse médico, Frantzis foi apresentado pela primeria vez a um homem que podia consistentemente transmitir a energia chi das suas próprias mãos para curar doenças e restaurar os corpos de outras pessoas. Durante seu terceiro ano no Japão, Frantzis se tornou um estudante de pesquisa científica de karatê em Okinawa, onde se concentrou em karatê e em técnica de armas. Aqui, no verdadeiro berço de nascimento do karatê, ele sentiu intensa falta das práticas que desenvolvem o chi (qi) e melhoram sua saúde, e também a falta das mais sofisticadas técnicas de artes marciais. Ele chegou a uma conclusão que o levou a abandonar o estudo único dos estilos mais duros das artes externas para sempre. Desse ponto em diante, concentrou todos os seus esforços somente nas artes marciais internas e no qigong (chi gung/chi kung).

Índia: Meditação como Desenvolvimento e Cultivo do Chi

Do taoísmo que ele aprendeu do Wang Shu Jin em Taiwan, Frantzis sabia que o desenvolvimento e cultivo da energia podia ser um dos métodos básicos da meditação. Como a lenda dizia que Bodhidharma tinha trazido as artes marciais e a meditação da Índia para o templo Shaolin na China no século cinco A.C., Frantzis, sempre devotado à procura de fontes originais, decidiu ir direto para a Índia. (Ele não sabia naquela época do fato histórico de que a China possuía uma metodologia altamente avançada nas artes marciais e no chi, séculos antes da visita de Bodhidharma.)

Profundamente desapontado pelos professors orientais que conheceu nos Estados Unidos (na opinião de Frantzis, eles retinham informação, não tinham um conhecimento genuíno para dar em primeiro lugar ou eram incapazes de transmitir o que tinham por causa de dificuldades da língua), Frantzis decidiu regressar mais uma vez para a Ásia, a “Harvard” no desenvolvimento da energia. Até 1987, quando fixou residência permanentemente nos Estados Unidos, Frantzis passou muitos anos alternando entre a Ásia e o Ocidente.

Ele ganhou a vida ensinando qigong (chi gung/chi kung) e as artes marciais internas nos Estados Unidos e Europa, assim como praticando a arte da cura do qigong tui na. Em 1972, depois de um período de seis meses praticando tai chi (taiji) nos Estados Unidos, ele partiu para a Índia. Foi primeiro para um ashram (templo sagrado hindu) no sul da Índia para aprender as técnicas da yoga pranayama, que trabalha diretamente com a energia da vida. Praticou o estilo clássico – usando respiração, mantras e mudras – quatro sessões por dia, três horas por sessão. Depois de três meses intensos, Frantzis disse que era capaz de “acordar o Kundalini shakti.”

Essa é uma força espiritual que inicia o processo de purificação da consciência, eventualmente resultando em iluminação. No norte da Índia, Frantzis estudou a meditação tântrica Kundalini com o guru Shiv Om-Tirth de Rishikesh, uma experiência que permitiu a ele compreender as similaridades e diferenças energéticas fundamentais entre os métodos de desenvolvimento de energia chinês e indiano.

Frantzis sabia que ambas as práticas indiana e chinesa, se implementadas corretamente, poderiam curar e aumentar a longevidade através do desenvolvimento e controle da força da vida (força- vital). Ambos os métodos foram comprovados com o passar do tempo e ambos tinham sido submetidos a literalmente milhares de anos de testes e refinamento.

A maior diferença que Frantzis percebia entre os dois métodos no nível da saúde residia na natureza da sua prática: o método chinês se concentra  no movimento do corpo, o fluxo incessante de energia, como a água em um córrego. Já o método indiano usa posturas com começos e finais diferentes, e pausas entre cada postura. A diferença é mais profunda do que parece ser. O tai chi (Taijii) e o qigong (chi gung/chi kung) são ativos; o yôga é passivo. O yôga parece dar mais flexibilidade, enquanto o tai chi constrói mais força e uma integração de movimentos. Contudo, ambos são similares na maneira que o hatha yôga ensina o pranayama com as posturas – as posturas abrem o corpo e o pranayama trabalha com a energia.

As autênticas artes chinesas, em comparação, utilizam certos movimentos – movimentos que estimulam a circulação da energia interna. No entanto, sem o trabalho da energia interna, a quantidade de energia ganha nos dois métodos é relativamente pequena. Frantzis acredita que, na maioria dos casos, o ensinamento de yoga, tai chi (taiji) e qigong (chi gung/chi kung) no Ocidente falha ao não incluir os componentes internos. Frantzis acredita que uma ênfase exclusiva nas artes marciais externas, ou no movimento externo do tai chi (taiji), ou nas posturas externas do yôga, podem somente desenvolver uma quantidade gravemente limitada de chi (qi).

Os dois métodos não são de forma alguma mutuamente exclusivos. Frantzis acredita que eles podem ser praticados simultaneamente para efeitos benéficos. Para aqueles que estão atualmente praticando o yôga, as artes chinesas podem revelar-se um acessório maravilhoso, acelerando o processo de limpeza das obstruções e desenvolvimento da energia. Embora tivesse sido capaz de alcançar muitas das posturas mais difíceis de hatha yôga enquanto estudava na Índia, Frantzis nunca achou essa prática tão satisfatória quanto as artes de movimento.

Havia um aspecto da sua experiência na Índia com o qual Frantzis não se sentia bem: o conceito de guru. O culto do guru desempenha um papel fundamental nas tradições indianas, o guru sendo um representante direto de Deus na Terra. Como agentes divinos, os gurus são tratados com uma admiração e respeito com que poucos ocidentais tratariam uma pessoa viva.

Embora a tradição chinesa também conceda um respeito muito maior aos professores do que no Ocidente, os mestres taoístas (lembre-se que nem todos os mestres chineses são taoístas) são considerados guardiões da sabedoria antiga. A relação entre aluno e professor no caminho taoísta é mais parecida com um amigo respeitado ajudando outro amigo do que um mestre divino ajudando um mero mortal. Os taoístas consideram que todos sejam um só no Tao e falam de amizade no Tao. Por conseguinte, a formação de Frantzis sob o olhar dos taoístas tinha um sentimento muito mais leve para ele do que seu treinamento com gurus.

Na Índia, Frantzis pôde formular uma perspectiva comparativa sobre os dois métodos clássicos da energia interna do mundo. Ele assimilou uma grande quantidade de conhecimentos valiosos sobre meditação e chi enquanto estava por lá. Infelizmente, ele também foi infectado com um caso quase fatal de hepatite.

Taiwan, Hong Kong, Poona, Beijing: de Lutador Exemplar a Curandeiro Exemplar

A forma extremamente virulenta de hepatite que Frantzis contraiu na Índia matou dois de seus amigos e deixou o seu fígado danificado. Ele tem convicção de que sem o trabalho de energia aprendido com o tai chi (taiji) e o qigong (chi gung/chi kung), ele também teria morrido na Índia. Sua situação era desagradável. Ele estava deitado em uma cama de hospital e mal conseguia se mover. O médico indiano que examinou Frantzis disse que ele corria o risco de morrer. Frantzis reconheceu a veracidade do que o médico disse e sabia que iria de fato morrer, a menos que fizesse alguma coisa.

Ele arrastou-se para fora da cama e, com seu corpo tremendo o tempo todo, levantou-se e forçou a si mesmo a fazer movimentos de tai chi e de chi kung. A dor que ele tinha no corpo todo era muito forte, mas ele persistiu, até que finalmente desabou de volta na cama. Frantzis dormiu continuamente por três dias. Quando acordou, sabia que iria viver. Quando ele foi capaz de viajar novamente, retornou a Taiwan. Aqui, ele praticou as artes internas com paixão, trabalhando com o mestre de lutas de bagua (ba gua/pakua) Hung I Hsiang durante um período cumulativo de quatro anos. Frantzis tem certeza de que tal prática lentamente regenerou o seu fígado, permitindo-lhe prosseguir com seus estudos de artes marciais.

Ele explorou o estilo interno e o estilo externo do Kung Fu incluindo os “Oito Imortais Embriagados”, “Louva-a-Deus Rezando ao Norte”, “Garça Branca do Templo Fukien”, “Macaco do Norte”, e  Wing Chun. Ele percebeu que muitos dos professores de artes marciais da China que eram verdadeiramente superiores eram muito velhos, e sentiu que essa poderia ser sua última chance de aprender bem muitas dessas artes, antes que elas desaparecessem completamente da face da Terra. Durante esse período incrivelmente intenso de concentração nas artes marciais, Frantzis achou tempo para estudar a medicina qigong (chi kung/chi gung) para o tratamento de doenças específicas. Ele se especializou no qigong para a regeneração dos nervos e da coluna vertebral. Com o seu nível de energia crescendo continuamente como resultado de suas práticas, ele também foi capaz de dedicar tem

po para estudar meditação com os taoístas, cuja ênfase era em limpar as emoções negativas do corpo e da mente.

Pelo fim de 1975, Frantzis voou de volta para Manhattan, ensinando alunos particulares e tratando muitos de seus pacientes com exercícios de qigong e qigong tui na. Ele ainda estava relutante em ensinar  grandes grupos publicamente, tanto por respeito à tradição oriental, como também porque sentia que não sabia o suficiente para ensinar desta maneira e não seria capaz de monitorar o progresso de seus alunos uma vez que estava sempre viajando para a Ásia.

Desta vez, nos Estados Unidos, Frantzis tornou-se extremamente consciente do significado do estresse na vida dos americanos e das muitas pessoas que estavam se desgastando por causa de excesso de trabalho e de preocupações. Pensou muito sobre como aplicar seu treinamento taoísta para solucionar este problema, mas sabia que estava faltando alguma coisa na sua formação médica. Muitos dos problemas de saúde estruturais dos órgãos internos que ele encontrou estavam fora das suas habilidades de cura com o gung qigong (chi/chi kung). Ele manteve um registro cuidadoso de todos os pontos fracos em sua formação e quando voltou para o Oriente dentro de um ano, tentou descobrir tudo o que ainda precisava aprender.

Em 1977, a sua busca por uma clarificação das emoções e de seu impacto sobre as condições relacionadas ao estresse o levou a Poona, na Índia. Lá, ele continuou seus estudos tântricos, ao mesmo tempo em que trabalhou com um grupo que explorava a ligação entre as emoções, a área psicológica, a meditação e o chi (qi), integrando os métodos de Kundalini com as técnicas psicoterapêuticas de New Age. Este trabalho de pesquisa proporcionou a Frantzis excelentes informações sobre como o funcionamento da mente ocidental se encaixam no âmbito da energia oriental.

No final de 1977, ele estava de volta a Taiwan, dedicando doze horas por dia às artes internas, refinando a sua arte bagua (ba gua/pakua), mergulhando na meditação taoísta e tântrica, e desenvolvendo um forte interesse na transformação da energia emocional. Continuou seu trabalho no estudo da coluna vertebral e do sistema nervoso. Apesar de ter adquirido, em 1978, um diploma avançado de acupuntura em Hong Kong, optou por se concentrar na terapia qigong tui na ao invés da prática de acupuntura.

No final de 1979, Frantzis mudou-se para Denver, no Colorado, e abriu uma escola privada que estava restrita somente aos que já eram seus estudantes. Foi só depois de estudar com o Mestre Liu em Beijing que Frantzis ficou confiante o suficiente no seu domínio dos componentes internos de qigong e passou a ensinar seminários públicos e escrever livros sobre o assunto. Após desfrutar de um sucesso considerável na arena de lutas corporais por muitos anos, Frantzis agora começava a afastar-se da luta para concentrar-se profundamente na cura e na meditação.

Pelo final da década de 1970 e durante os anos seguintes que passou em Beijing, Frantzis continuou a aperfeiçoar suas técnicas de combate, porém sua ênfase primária tinha distintamente e permanentemente mudado. O verão de 1981 foi com certeza uma época importante. Ele treinou diligentemente com o Mestre Liu Hung Chieh, em Beijing. Frantzis estava tão profundamente imerso em seu treinamento, que nunca sequer visitou a Cidade Proibida, mesmo sendo uma caminhada de apenas cinco minutos da casa de Liu.

No outono de 1981, Bruce Frantzis voltou para Denver, onde calmamente recomeçou a ensinar e a formar instrutores, e quase ficou aleijado para sempre.

Denver: A Crise da Sua Própria Cura

No início de 1982, Frantzis se envolveu em um terrível acidente de carro. Ele machucou muito a sua coluna vertebral. Duas vértebras se partiram, várias outras foram fraturadas, muitos dos ligamentos da espinha se rasgaram, e todas as suas vértebras se desalinharam. Os cirurgiões o pressionaram para fazer uma fusão espinhal, o que Frantzis, em meio à sua dor, recusou com certa indelicadeza. Seus anos de exposição ao qigong e qigong tui na haviam lhe ensinado que, dada a sua condição, uma vez que sua coluna fosse aberta, o chi (qi) do seu corpo jamais seria o mesmo.

Mantendo os cirurgiões afastados, Frantzis começou a fazer qigong (chi gung / chi kung) deitado de costas de oito a dez horas por dia. Nenhum milagre aconteceu. Foi um sofrimento longo e difícil para regenerar a sua coluna com essas técnicas. Surgiram algumas complicações. Frantzis fala de como a ruptura de sua espinha neutralizou todos os mecanismos de controle psicológico que ele tinha. Todas as forças mais obscuras reprimidas nas profundezas de sua mente vieram à tona. Se não fossem todos os anos de trabalho concentrado na meditação, Frantzis tinha certeza de que ele teria perdido o controle e passaria o resto da vida em um hospital psiquiátrico. Em vez disso, ele aguentou tudo.

No entanto, a experiência emocional, além da dor constante nos nervos, tornaram a sua vida insuportável, tanto para si mesmo, como para aqueles que estavam ao seu redor. A perda súbita de força e habilidade físicas, o orgulho ferido como atleta, foi um golpe devastador. Frantzis caiu em uma depressão profunda, perdendo todo o interesse em tai chi e sendo incapaz de fazer bagua por causa da dor.

Ele sabia que tinha que fazer algo para melhorar a sua saúde mental. O sentimento de ser inútil a si mesmo e aos seus alunos não podia continuar. Quando a prática de qigong finalmente consertou sua coluna o suficiente para ser capaz de fazer alguns movimentos, Frantzis participou de várias terapias de mente e corpo no Colorado e no Oregon. Elas ajudaram um pouco, reforçando a sua estabilidade mental. No entanto, não importa o quão eficaz uma terapia psicológica seja, a dor nos nervos vinte quatro horas por dia criou uma crise emocional. O trabalho psicológico não era suficiente.

Frantzis tentou todas as terapias físicas, incluindo a quiropraxia, a técnica de massagem dos tecidos profundos, o método Rolfing, a acupuntura, a  massagem, e uma variedade de terapias de movimento. Elas também ajudaram um pouco a diminuir a dor durante um dia ou dois, mas esta sempre voltava. Quando ficou claro que as alternativas disponíveis para ele no Ocidente não iam restaurá-lo permanentemente, Frantzis fez o que sempre tinha feito – foi para a China para pesquisar. Desta vez ele foi à procura da tecnologia de cura adequada para deixar seu corpo de volta ao que era antes.

Outra Vez Beijing: A última Lição com Liu

Quando Frantzis chegou em Beijing no verão de 1983, Liu estava em um retiro de meditação e não estava disponível para trabalhar com ele. Felizmente, por causa de uma outra carta de seu professor em Hong Kong, Bai Hua, Frantzis pôde estudar a tecnologia interna de tai chi estilo Yang (taiji) com Lin Du Ying, em Xiamen, província de Fujien. Embora Frantzis tivesse estudado o estilo Yang de tai chi (taiji) com muitos professores, incluindo Yang Shao Jung (o bisneto de Yang Lu Chan, o Yang original que fundou o estilo Yang de tai chi), ele tinha grande respeito por Lin Du Ying e o considerava o praticante mais excepcional do estilo Yang que já tinha visto. Desde que Frantzis tinha sido aceito formalmente como discípulo, a informação lhe foi dada de forma aberta. Ele sentia que era uma honra poder receber esta transmissão do tai chi de Lin.

Depois de nove meses, quando Liu estava finalmente disponível, Frantzis juntou-se a ele. Embora sua prática da forma Yang tivesse aliviado a dor no pescoço e na parte superior das costas, o resto do seu corpo ainda doía. Liu prescreveu o estilo Wu tai chi (taiji). Esse estilo, que enfatiza a cura suave e a meditação, fortalece o corpo e clareia a mente. Poucos meses depois, a prática da forma Wu eliminou a dor nas partes central e inferior das costas de Frantzis.

Em seguida Liu começou a ensinar meditação taoísta a Frantzis, duas vezes por dia, de duas a três sessões de uma hora cada. Depois que a coluna lombar de Frantzis tinha cicatrizado o suficiente, Liu iniciou o ensino do bagua (ba gua/pakua) e hsing-i (xing yi/yi shing), bem como de certas metodologias de qigong (chi kung/gung chi). Este treinamento durou três anos, sete dias por semana, ininterruptamente.

Liu preencheu o que faltava na educação esotérica de Frantzis (acumulada por mais de vinte anos) e o levou a lugares na mente humana que ele nunca soube que existiam. Ele levou Frantzis por todos os níveis da prática da meditação taoísta para experimentar diretamente o lugar onde tudo se unifica com o Tao.  Liu desejava que Frantzis ensinasse não só as artes marciais e o qigong (que, por estas alturas, ele estava completamente qualificado para ensinar), mas também a meditação taoísta, assim que Frantzis se sentisse preparado. Foi através de Liu que Frantzis foi capaz de organizar o sistema de qigong apresentado neste e em outros volumes. Liu tomou a decisão inédita de autorizar que um ocidental transmitisse os conhecimentos guardados a sete chaves na China desde a antiguidade.

No dia primeiro de dezembro de 1986, Liu morreu, um dia depois que terminou de ensinar a Frantzis a mudança da última palma do bagua zhang (ba gua chang/chang pakua) e o nível final de tai chi estilo Wu (taiji). Ele passou a linhagem para Frantzis. A tristeza foi esmagadora. Frantzis sentiu-se profundamente privilegiado por ter conhecido um homem tão extraordinário. Ter estudado com Liu era como ter sido o recipiente de um grande e raro dom. Depois de ser dado a honra de espalhar as cinzas de Liu, geralmente um ato confinado à família, Frantzis voltou para os Estados Unidos.

O objetivo de Frantzis no ocidente foi, e ainda é, transmitir o máximo possível dos conhecimentos que ele aprendeu sobre melhoria da vida. A generosidade de Liu deu a Frantzis conhecimento e confiança. Frantzis espera poder unir as culturas, colocando este conhecimento à disposição das pessoas no Ocidente. "A era dos segredos", Frantzis diz, "é passado".

 

 

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This tai chi training was a tranformational experience, breaking through one's sense of expectations, releasing stagnant areas in the body, mind and spirit.

L. Spiro